Nunca fui pessoa de virar costas a uma boa aventura. E não tive dúvidas que mais dia menos dia iria meter-me noutra. Tudo começou quand...

E assim emigrei - PARTE I

quinta-feira, fevereiro 09, 2017 MeiaLeca 6 Comments



Nunca fui pessoa de virar costas a uma boa aventura. E não tive dúvidas que mais dia menos dia iria meter-me noutra. Tudo começou quando fui confrontada com a dificuldade em arranjar trabalho na minha área, além dos ditos estágios não remunerados, em Portugal. Por isso mesmo, enchi as malas de esperança, guardei todos aqueles que amo no meu coração e lá fui eu, toda “deslargada” e sem nada a temer. Ainda me lembro como se fosse hoje das palavras da minha mãe: “o teu irmão já lá está e eu sei que mais cedo ou mais tarde tu vais também”. E fui. Fui positiva e a pensar que iria ser fácil encontrar um trabalho na minha área em “Paris de França”. Mas não foi...

Um sonho que se sonha só...


O que me valeu foi ter alguém para me apoiar durante esta nova fase da minha vida. Era o meu objetivo desde o começo conseguir um trabalho na minha área… Caso contrário, talvez, não tivesse feito as malas e deixado tanto de mim para trás. Cheguei a Paris e deparei-me com um mercado de trabalho ainda mais saturado e difícil de penetrar para quem ainda está no começo de carreira e com tão pouca bagagem no currículo. Resumindo, tive que me fazer à vida e deixar em stand by todos os meus sonhos. Um mês mais tarde, lá estava eu a imprimir currículos e a entregá-los nas lojas da cidade da Luz com o meu francês nada apurado! Este vai e vem demorou cerca de seis meses. Sim, meio ano! Dito assim até parece que foi coisa pouca. Mas custou-me tanto, tanto. O fato de ser tímida por natureza, apesar de ser completamente o oposto com os meus amigos, não ajudou em nada este processo. Se não fosse o N a motivar-me todos os dias… Muito sinceramente acho que não conseguia ter feito nem metade do que aquilo que fiz.

Até que, finalmente, chamaram-me para trabalhar numa loja de acessórios em Montmartre/Saint-Michel. Para quem ia com o sonho de começar uma carreira na área de Marketing Digital, fiquei para lá de radiante!!! Quase tão feliz como quando devoro batatas-fritas 😁😁🙈. Mas, assim como elas, a alegria foi se num abrir e piscar de olhos. Foram uns três meses complicados - oh, se foram! A verdade é que, e desculpem-me a franqueza, não me é nada fácil lidar com o nível de arrogância dos franceses. Ups, parisienses! Pelo menos eu ainda estou nessa luta há quase três anos.

O que dizer dos longos três meses a aturar a minha responsável? Insuportáveis! Era um alívio quando não trabalhava na loja com ela. Sabem aquelas pessoas frustradas super cansadas da vida? É a G. Ninguém queria ter formação com ela. E eu sei bem porquê. Existem aquelas pessoas que até podem ser um poço de sabedoria mas, na hora de ensinar, não dão uma para a caixa! Acredito, mesmo, que ela não tenha vocação para ensinar.

Querem enganar quem?


Passou-se o verão e os dois meses à experiência, e a hora da verdade chegou. Entrei na sala da minha chefe depois de mais um dia a atender 90% de turistas. Ela olhou para mim e nada do que por aí vinha me surpreendeu: “I, evoluís-te imenso, gosto muito de ti e és uma menina muito dedicada e com vontade de aprender”. “MAS???”, perguntei-me em silêncio. Então… Pelos vistos o meu francês não era bom o suficiente para atender 90% de estrangeiros. Irónico, não é? Eu, que falava inglês, espanhol, português, francês (o suficiente) e ainda arranhava o italiano. E, mesmo assim, não era suficiente esta ginástica mental que fazia todos os dias com os meus clientes.

Não argumentei e fui para casa destroçada. Guardo muita coisa para mim. Senti-me como se todo o esforço não tivesse servido para nada, sabem? E o que mais temi voltou a acontecer nos dias seguintes: todos os meus medos e inseguranças voltaram a todo o vapor. Contudo, se há coisa que tenho aprendido ao longo desta minha jornada em Paris é que há males que vêm por bem. Acreditem! Mal eu sonhava o que estava prestes a alcançar… Mas isso conto-vos numa próxima viagem! Apenas vos digo que valeu a pena cada dia, cada minuto, cada segundo. Tive guerra, mas também tive luta. Chorei, mas fui capaz de transformar lágrimas em sorrisos. Corri (e se corri!), mas alcancei a linha de chegada.

Não percam o segundo capítulo da minha jornada de emigrante!


6 comentários:

  1. Adoro ler o que escreves.
    Também emigrei e foi coisa que nunca pensei fazer/ter de fazer. Mas cá estou no Qatar com marido e filha e em breve partimos para novo destino.
    Comigo foi muito "vamos nessa" porque, infelizmente, o nosso país não estava a ajudar e tão cedo não voltamos. Também tive trabalhos como o teu (ainda em Portugal), já aqui encontrei um bom que só me está a dar dores de cabeça no fim ��.
    Continua a contar-nos a tua aventura que eu continuo a ler-te com muito gosto!
    Beijinho para ti e para o teu N que me deu a conhecer este teu blog.

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    1. Muito obrigada Ju. E boa sorte para si e resto da família no próximo destino!! Beijinho grande

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  2. Já disse e volto a repetir: simples e sincero minha palhacita! <3 Beijo from África. ;)

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