Cá estou eu para vos contar o segundo capítulo da minha “luta” para arranjar trabalho em Paris. Para quem piscou o olho e perdeu o p...

E assim emigrei - PARTE II

domingo, fevereiro 19, 2017 MeiaLeca 0 Comments



Cá estou eu para vos contar o segundo capítulo da minha “luta” para arranjar trabalho em Paris. Para quem piscou o olho e perdeu o primeiro, aqui fica link: E assim emigrei - PARTE I. Deixei-vos na parte em que fui para casa com a amarga certeza de que não podia cruzar os braços e deixar que todos os medos e inseguranças se apoderassem de mim novamente. Chorei, chorei e chorei. Mas no dia seguinte lá estava eu a procurar trabalhos na internet. A verdade é que não tive forças para encarar, outra vez, aquele vai e vem a entregar currículos pelas ruas de Paris. Pelo menos não logo. Abençoada internet...
Não que procurar trabalho na internet seja menos duro. Sempre encontramos aqueles anúncios de emprego que são a nossa cara, mas depois olhamos para os requisitos e até ficamos verdes. Uma chapada de luva branca só para abrir a pestana! Inscrevi-me em tudo o que eram sites de emprego e inundei-os com o meu maravilhoso currículo (feito com muito amor e dedicação). Até que, encontrei um anúncio que me assentava que nem uma luva. E, adivinhem? Não era para uma loja mas, sim, para um trabalho na minha área! Procuravam uma redatora que falasse português do Brasil. Estava no papo! 😏😏 - pensei eu para os meus botões. Embora não fosse brasileira, o ano que vivi no Brasil enquanto fiz intercâmbio pareceu-me suficiente para ter todas as skills necessárias para o cargo: redatora de conteúdos para um site brasileiro. Até fiquei com os calores!
Era tão perfeito para mim que estava certa de que se não me chamassem alguma coisa de errado se passava. Dias depois de muita ginástica com o dedo mindinho a fazer refresh no meu email... eis que, recebo uma mensagem de voz no telemóvel 😅. Estava tão concentrada em receber uma resposta no email que esqueci-me completamente que também era viável ligarem para mim. DAHH!! Escrevo babada só de lembrar a voz da recrutadora a dizer que estava muito interessada em marcar uma entrevista comigo. OBAAA!!!! Mas, claro, quem me conhece sabe perfeitamente que fiquei logo toda cheia de “calores” 🙊😷 com o fato de ter que me preparar para a minha primeira entrevista de trabalho (na minha área) em francês. Embora fosse trabalhar especificamente para um site brasileiro, a empresa era francesa: sendo responsável por sites de diversos países direcionados para o público mais jovem. E lá fui eu. Com uma carrada de papéis na mão com as eventuais perguntas sobre o meu percurso académico e profissional, as minhas humildes respostas e alguns rabiscos. Estou tão empolgada, neste momento, que acho melhor irmos logo para a parte que interessa: o trabalho era meu! SIM, SIM, SIM - só meu. Mas… Sim, teve um "mas". A posição era para um estágio. E, para quem não sabe, só estamos aptos para os estágios em França se estivermos ainda a estudar. Só assim é possível haver um acordo entre o governo/empresa/faculdade para recebermos o bendito, mísero, mas ao mesmo tempo, tão desejado ordenado. Quem sonha sempre alcança, não é mesmo? É.
Claro que não ia deixar que essa burocracia fosse arruinar um sonho prestes a tornar-se realidade. Então, lembrei-me da M: uma amiga portuguesa que conheci em Paris. Também ela passou pelo mesmo problema que eu e safou-se com distinção. Ela contou-me que pediu o tal “contrato de estágio” à faculdade onde estudou em Portugal - mesmo já tendo terminado o curso. E assim o fiz também. Todo este processo demorou quase dois meses. Falei com a minha faculdade e com um professor em particular, o R. Foi ele quem mexeu os cordelinhos e “me vendeu” como alguém de confiança e dedicada para os responsáveis pelos estágios. E não é que consegui? Mas a formalização do contrato entre a empresa e a minha faculdade estava longe de começar. Foi um processo bastante longo… Ligava todos os dias para a faculdade para acompanhar e saber se o meu caso tinha, ou não, sido aprovado. Cheguei a ligar-lhes da Áustria durante uma viagem romântica com o N, tal não era o desespero. Nisto chegou o Natal e, como manda a lei, lá estava eu de malas feitas para passar a consoada com a família. Bom, tirando isso foram todos os dias plantada na faculdade para saber da documentação do meu estágio. UMA SEMANA, minha gente, e finalmente tive tudo o que precisava, assinado e autenticado (para não me acusarem de ser clandestina), para levar para Paris e começar a minha nova etapa. Em Janeiro lá estava eu... com a mochila às costas a entrar na mini Google (a decoração da empresa é brutal, desde sala de jogos, cozinha, concertos lá dentro, enfim). Foram seis meses de muita aprendizagem e bons momentos. A minha equipa? Não poderia ser melhor!
Voltei a cair, mas levantei-me.
Acabou-se o estágio e mais uma boa notícia: contrataram-me para trabalhar em regime freelancer. Continuei a fazer exatamente o mesmo: a poder ir trabalhar para o escritório, mas com a vantagem que também podia ficar em casa ou em outro lugar do mundo. Uma felicidade que durou até ao fim do ano de 2015. Um ano que consegui carimbar o meu currículo com muita experiência numa das coisas que mais gosto de fazer: escrever. Infelizmente, a viagem terminou porque a empresa decidiu fechar alguns sites para se focar mais em outros. E o resto já sabem: voltei a cair, mas ficaram as boas lembranças e experiência. Não posso ser ingrata. Tudo é aprendizagem, crescimento, amadurecimento. Comecei 2016 triste, mas agradecida, tolerante, confiante e, sobretudo, mais otimista - coisa que sempre fui e tinha deixado de o ser há muito tempo. Troquei todas as palavras negativas pelos seus antónimos, os pensamentos maus por sonhos e os percalços por objetivos. Tudo isso foi um guia para mais um ano que aí vinha. Um livro em branco com 366 páginas a serem preenchidas. E, garanto-vos, com um final feliz. Não de conto de fadas, mas real!


Não percam o próximo capítulo desta minha história!

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