É facto e não escondo ( nem consigo ) que sou uma pessoa bastante sensível. A muitos só mostro o meu polo divertido, espontâneo, palhaço...

Não sabendo que era impossível, fui lá e fiz

terça-feira, maio 08, 2018 MeiaLeca 0 Comments


É facto e não escondo (nem consigo) que sou uma pessoa bastante sensível. A muitos só mostro o meu polo divertido, espontâneo, palhaço, gozão e que está sempre pronto para soltar uma gargalhada estridente. Mas assim como todos, eu também tenho o meu polo monocromático. E quando estou com cara de enterro, meus amigos, choro que nem um bezerro desmamado. Choro quando me deparo com os posts de animais maltratados e à procura de dono, choro porque os protagonistas do filme não ficaram juntos, choro quando me sinto sozinha, choro quando me pedem dinheiro na rua e, por algum motivo, o olhar daquela pessoa me toca...

Choro quando oiço sobre histórias de bullying nas escolas e imagino que um dia podem fazê-lo com os meus filhos, choro quando escrevo sobre mim e para os meus no meu blog, choro sempre que me despeço da minha mãe e do meu pai no aeroporto, choro quando a vida nem sempre me sorri, choro quando penso que os meus pais um dia não estarão cá para me ver a caminhar, choro, e não é pouco, por achar que não sou boa o suficiente e que nunca vou estar à altura dos desafios que a vida me ostenta. Tenho o péssimo hábito de me comparar aos outros... De achar que já devia ter feito muito mais, que já devia de ser muito mais. No entanto, quando olho para trás, não é isso que vejo.

Vejo uma pessoa que morre de medo, que chora, mas que, mesmo assim, tem coragem para viver. Vejo que comparar-me aos outros só tem poluído a minha capacidade de sonhar e camuflado todos os passos descalços que já dei até agora, sem nenhum empurrãozinho. A verdade é que, no meio de tantos trambolhões, já perdi a conta das vezes que mergulhei de cabeça em projetos e aventuras, mesmo achando que não estava preparada.

Viajei até ao Peru sozinha durante 3 semanas depois de um ano a viver no Brasil. Mesmo sem saber o que me esperava, fui e fiz questão de voltar com excesso de bagagem. Sabem o porquê? Por que prefiro sentir o peso nas costas do que o peso de um sonho que ficou por realizar. Trouxe nela vários recantos do país, pessoas incríveis e inspiradoras e memórias que me deixam com saudades. Pouco tempo depois voltei a fazer as malas, desta vez com partida sem data de regresso.

Depois de terminar a minha licenciatura em Marking e Publicidade e de só conseguir estágios não remunerados em Portugal, fui para Paris sem saber falar francês, mas fui mesmo assim. Criei o meu currículo numa língua que mal falava e entreguei em dezenas de lojas sem ter a mínima ideia do que dizer caso me fizessem perguntas, mas entreguei mesmo assim. Mesmo insegura e sob o olhar atento de uma manager nada amigável, trabalhei numa loja e atendi pessoas de todas as nacionalidades. Consegui o meu primeiro trabalho na área sem saber exatamente como fazer o que me pediam, mas agarrei a oportunidade mesmo assim. Criei dois sites de jornalismo colaborativo à distância com 9 pessoas fantásticas do Brasil sem saber como gerir tamanha responsabilidade, mas criei mesmo assim. Comecei a cuidar de crianças sem nunca ter feito nada parecido, mas fi-lo mesmo assim. Semeei um blog sem nunca ter escrito nada tão pessoal para tanta gente, mas plantei mesmo assim.

Fiz tudo isso e muito mais porque achei que não estava pronta, mas fui mesmo assim. Fui porque sou a única pessoa capaz de ir atrás dos meus próprios sonhos. Seja a galope ou a passo de caracol, fui mesmo sabendo que é preciso coragem para criar laços com o desconhecido. Fui porque é do outro lado que me sinto, onde me descubro capaz e onde vejo a minha história desfolhar sem anseios escondidos atrás do olhar de quem se arrepende de não ter feito. Fi-lo muitas das vezes com dois pés atrás, mas não deixei de agarrar as oportunidades por achar que não conseguia fazer.

As coisas boas acabam por acontecer quando estás aberto a novas experiências, mas, sobretudo quando não te comparas, quando não tentas ser igual aos outros, quando não duvidas das tuas capacidades, quando és persistente, quando aproveitas o processo da tua caminhada e não pensas demasiado em chegar ao topo da montanha, quando não deixas de fazer mesmo quando ninguém acredita em ti. Esses, que quase te fizeram perder a esperança, um dia vão falar de ti orgulhosos de te terem conhecido.

Por isso lembra-te 💪: se tomar as rédeas dos teus sonhos e daquilo que vale a pena lutar por mais um dia na Terra não são suficientes para te fazer encontrar o mundo que nunca pisaste, então nada mais o fará.

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