Viver longe levou-me tanta coisa mas também me trouxe tantas outras... principalmente cenas em que pensar. Pode parecer cliché, mas a...

Porque a vida continua sempre e de nada vale guardares as palavras só para ti

quarta-feira, julho 17, 2019 MeiaLeca 0 Comments


Viver longe levou-me tanta coisa mas também me trouxe tantas outras... principalmente cenas em que pensar.

Pode parecer cliché, mas a verdade é que só quem sai do país é que realmente percebe a agonia que é estar longe das pessoas que mais gostamos.

Durante quase 6 demorados anos dou conta do quão o universo foi generoso comigo: hoje dou por mim a sentir vontade de prolongar todos os momentos com aqueles a quem regresso tantas vezes e tenho a vontade amarga de lá ficar, envolvida pela doce marca que deixei lá dentro deles quando parti.

Hoje reaprendi a amar.

Há tantas alturas em que a minha voz levanta a vontade que tenho de desistir... Tenho medo. Todos os dias tenho medo que este peso de viver entrelinhas descalce as memórias da casa que já foi minha. 

Carrego o mundo às costas e sinto-me incapaz de dar mais um passo. Voltar a casa é um abraço sem espaço, mas é também um abanão a dizer: "tu não estás sozinha".

Infelizmente ninguém nunca me explicou que quando emigras deixas de ser tu e passas a ser "a emigrante". As saudades começam a acordar-te todas as manhãs e dás por ti às voltas com a almofada a contar os dias... 

Mas vocês nem imaginam o que é para "nós", mim, voltar a casa todos os verões... Espero dias a fio para me encher de certezas. Onde me encontro antes do que sou agora e mato saudades das histórias que me voltam a relembrar de que, a vida continua e de que nada vale guardar as palavras só para mim.

A vontade de criar o blog veio desta ausência... O de acordar com saudades, o de querer que o tempo que me separa da minha familia e amigos não existisse. E a única forma que encontrei de abraçar o que nos separa é a escrever o que sinto. 

Escrever faz me acreditar que assim serei mais forte. Faz-me não ter medo de dizer que vocês fazem me muita falta. Bolas, se fazem!

E quero mesmo, muito, continuar a acreditar que nunca vou aceitar desistir de escrever enquanto as saudades estiverem aqui. 

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